Artigos Científicos 21/11/2018

Avaliação Radiográfica de Implantes de Titânio Curtos em Maxilares Reabsorvidos de Pacientes Desdentados.

A perda óssea a nível da crista marginal pode comprometer o sucesso da reabilitação ou até culminar com a perda da osseointegração. Microgaps facilitam o acúmulo de placa e cargas oclusais extra-axiais podem maximizar essas fendas, aumentando a…

Kopp Implantes
por Kopp Implantes
Avaliação Radiográfica de Implantes de Titânio Curtos em Maxilares Reabsorvidos de Pacientes Desdentados.

Introdução

• A perda óssea a nível da crista marginal pode comprometer o sucesso da reabilitação ou até culminar com a perda da osseointegração;

• Microgaps facilitam o acúmulo de placa e cargas oclusais extra-axiais podem maximizar essas fendas, aumentando a área disponível
para colonização bacteriana;

• Uso tópico de agentes antimicrobianos minimizam o risco de infecção;

• Efeito local é curto;

União do implante e munhão deve ser hermética;

• O implante pode atuar como reservatório de microrganismos, mantendo a inflamação dos tecidos peri implantares, promovendo a
perda óssea e até a perda do implante;

• O sucesso da osseointegração depende da quantidade óssea:
– Altura;
– Volume ósseo;
– Limitações anatômicas:
– Maxila;
– Mandíbula.

• Técnicas de reconstrução do rebordo:
– Enxerto ósseo autógeno;
– Regeneração óssea guiada;
– Reposicionamento do n. alveolar inferior;
– Levantamento do seio maxilar.

Objetivos

Avaliar, radiograficamente, a interface osso-implante e o comportamento das cristas ósseas mesiais e distais de implantes curtos de 6 mm de comprimento e 3.75 mm de diâmetro durante o período de osseointegração.

Revisão de literatura

Implantes dentários: Confiável opção reabilitadora em Odontologia.

A perda dentária precoce, fatores sistêmicos, dieta, morfologia facial, hormônios, osteoporose, associados ao uso de próteses mal adaptadas, podem causar reabsorções ósseas de forma a superficializar estruturas anatômicas importantes, exigindo maior
atenção no planejamento.

 •Padrão de perda óssea:
Maxila: Perda horizontal maior e vertical mais lenta;
Mandíbula: Maior perda óssea vertical.

implantes de titânio curtos

implantes de titânio curtos

• Presença de estruturas anatômicas importantes na região posterior e arcos atróficos limita o uso de implantes convencionais;
Soluções: Cirurgias prévias para ganho de volume ósseo, implantes angulados, implantes zigomáticos ou implantes curtos.

Sistema Friccional

Sistema de implante com conexão cônica interna foi adaptado do conceito “morse taper”, desenvolvido por Sthepen A. Morse, em 1864.

implantes de titânio curtos

Características e vantagens

• Capacidade superior para suportar cargas transversais, por possuir maior área de contato entre o implante e o abutment;

 Íntima adaptação entre as peças, adquirindo uma resistência mecânica semelhante a uma peça única;

• Propriedade antirotacional;

Excelente estabilidade protética;

Indicados para coroas individuais;

Diminuição de pontos de concentração de tensão;

• A cinta lisa dos implantes cone-morse: 0,5 mm;

Implantes convencionais variam de 1,8 a 2,8 mm;

• Finalidade: Aumentar a área de superfície tratada no implante, área de contato com o osso, ajudando na osseointegração e reduzindo o nível de reabsorção óssea.

implantes de titânio curtos

No sistema cone-morse existe uma micro-fenda entre intermediário e implante, porém, esta é 5 X menor que uma bactéria bucal, solucionando os problemas de infiltração bacteriana, e conseqüentemente a reabsorção óssea e o mau hálito dela decorrentes.
E. coli: 1,5 X 4μm;
Gap: 0,5μm.

Tomazinho em 2010 avaliou a capacidade do sistema friccional em impedir a passagem de microrganismos entre as superfícies de contato do munhão e implante, usando como comparação os implantes com plataforma em hexágono externo:

implantes de titânio curtos

• Após 48 h 2 tubos com implantes HE apresentaram turvação;

Após 72 h todos os tubos contendo implantes HE apresentaram turvação;

Também, após 72 h de incubação, todos os tubos contendo os implantes friccionais, não apresentaram turvação, indicando ausência de crescimento microbiano.

Implantes Curtos

Indicados onde à pouca quantidade óssea ou a acidentes anatômicos;

Para essas situações também indica-se técnicas de enxertia óssea, porém apesar de apresentarem altas taxas de sucesso, muitos pacientes não podem se submeter as cirurgias, por maior sensibilidade pós- operatória, altos custos e maior duração do tratamento.

• Seu comprimento é compensado pelo maior diâmetro e pelas roscas que aumentam a área de contato osso- implante, melhora a distribuição das cargas oclusais e o travamento do implante;

• Nessa pesquisa o diâmetro dos implantes foi convencional.

• Proporção 

    – Cargas oclusais incidam no longo eixo do implante;

    – Evitar a formação de cantiléver vertical;

   – Pacientes com parafusão devem estar controlados e ser orientados ao uso de aparelho miorrelaxante após instalada a prótese.

Região posterior → atrófica e presença de estruturas anatômicas → maior sobrecarga mastigatória → evitar sobrecarga oclusal → maior densidade óssea → travamento primário.

Fatores endógenos que podem afetar o sucesso dos implantes curtos

1.Quantidade óssea

 – Zona de segurança

Segundo Misch, o canal mandibular encontra-se 2 mm ou mais abaixo da linha B; Abaixo da linha B em 97,5% na região do 1o M e apenas 5,5% dos casos na região do 2o M.

implantes de titânio curtos

2. Qualidade óssea:

Densidade óssea fornece travamento mecânico e distribuição das tensões.

– Densidade óssea

– Osso em contato com o implante

3. Diâmetro do implante

2 mm aumentado, eleva-se 67% a área de superfície.

O diâmetro está relacionado ainda com a espessura óssea disponível, espaço entre os dentes vizinhos, necessidade estética e carga oclusal.

4. Geometria

As roscas permite melhor travamento inicial, distribuição das forças oclusais e aumento da superfície de contato osso/implante.

5. Tratamento de superfície dos Implantes curtos:

– Plasma de titânio;

– Jateamento de óxido de titânio;

– Jateamento com esferas de vidro;

– Ácidos.

Vantagens dos implantes curtos

• Evitar procedimentos cirúrgicos complexos e traumáticos;

• Menor tempo e custo do tratamento;

• Menor risco de sinusite maxilar por perfuração do seio ou invasão do canal mandibular causando parestesia;

• Menor risco de lesar raízes de dentes adjacente;

• Alta taxa de sobrevida.

Há um consenso na literatura de que os implantes perdem em média 1 mm de osso no primeiro ano em função e depois essa perda se estabiliza em 0,1 mm por ano.

Causas da perda óssea

• Trauma cirúrgico devido ao superaquecimento → Zona desvitalizada;

• Exposição espontânea do tapa-implante;

• Posicionamento do implante: – Ápico-coronal; – Distância entre os implantes.

• Desenho do implante.

Outras prováveis causas:

• Fumo;

• Implantes imediatos;

• Implantes não rosqueados;

• Formação de espaço biológico.

Materiais e Métodos

  • 12 pacientes;
  • 40 implantes.
  • GRUPO 1 – TESTE (Implantes Kopp de 6mm);
  • GRUPO 2 – CONTROLE (Implantes Kopp de 8mm).

Critérios para seleção:

Inclusão:

Paciente com 18 anos ou +;

Disposição para cooperar com o estudo;

Sem comprometimento sistêmico;

Boa higiene bucal;

Qualidade óssea de I-III;

Volume ósseo ≥ 6 mm de largura e ≥ 8 mm de altura.

Exclusão:

Grávidas ou lactantes;

Uso de álcool, fumo ou drogas;

Sítio receptor com reconstrução prévia;

Presença de raízes residuais;

Qualidade óssea tipo IV;

Doenças estomatológicas;

Sinais clínicos de DTM’s;

– Mucosa queratinizada < 2 mm.

Critérios para sucesso

Método proposto por Karoussis et al (2004):

Ausência de supuração;

Ausência de exposição e mobilidade do implante;

Ausência de queixas persistentes;

Ausência de radio lucidez contínua ao redor do implante;

Perda óssea vertical de 1 mm no 10 anos e após, 0,2 mm anualmente.

Procedimentos cirúrgicos

2 operadores;

Sequência de brocas conforme o sistema KOPP, sob irrigação;

Estabilidade primária foi sempre alcançada;

Sutura com Nylon;

Cicatrização por 1a intenção;

Remoção de sutura após 7 dias.

implantes de titânio curtos

Cuidados pós-operatórios

• Amoxicilina: 500mg cada 8h ou Eritromicina 500mg cada 6h por 7 dias;

Nimesulida 100mg de 12/12h por 5 dias;

Dipirona Sódica 500mg/ml;

Digluconato de Clorexidina 0,12% por 7 dias.

Avaliações radiográficas

•  Tomadas radiográficas periapicais após 07, 30 e 90 dias a instalação dos implantes.

Técnica do paralelismo e uso de posicionador com exposição de 0,7 segundos;

Mensuradas as mudanças da altura da crista óssea peri implantar por apenas 1 operador.

implantes de titânio curtos

Resultados

implantes de titânio curtos

 

implantes de titânio curtos

implantes de titânio curtos

 

• Um paciente apresentou parestesia pós-operatória;

Dois implantes perdidos, resultando em taxa de sucesso de 95%;

Dos 38 implantes restantes, nenhum apresentou alteração radiográfica na interface osso-implante.

implantes de titânio curtos

implantes de titânio curtos

implantes de titânio curtos

implantes de titânio curtos

Discussão

• 70% dos implantes instalados em mandíbula, pós forame mentoniano;

Osso tipo II ou III (Misch);

Taxa de sucesso de 95%;

Resultado semelhante entre os 2 grupos.

Enxerto ósseo

Vantagens 

• Ótimos resultados

Menor compensação

Desvantagens

• Mais custosos – uso de aparatos diferenciados;

• Maior tempo de tratamento – maior número de intervenções;

 Maior morbidade;

Nem sempre apresentam índices de sucesso desejados.

Implantes curtos

Vantagens

• Cirurgia pouco invasiva;
 Menor custo e tempo;
Poucas complicações;
Menor risco de sinusite, parestesia e de lesar os dentes vizinhos;
Menor risco de superaquecimento.

Desvantagens

• Relação coroa/implante desfavorável;

• Restaurações protéticas longas;

• Estética insatisfatória;

Maiores cargas oclusais na região posterior;

Menor superfície passíveis de osseointegração;

Fatores biomecânicos para obter o sucesso da reabilitação com implantes curtos

 Paciente deve ter ausência de para função ou estar controlada; 

 Utilizar implantes com superfície tratada;

• Esplintar implantes curtos aos longos;

• Morfologia da coroa alterada para diminuir absorção excessiva de forças oclusais;

• Ausência de cantiléver em implantes curtos;

• Trabalhar em áreas de boa densidade óssea;

• Utilizar implantes curtos em áreas onde à ausência de interferência estética devido a coroas protéticas mais longas.

Pinholt em 2008: 10 pacientes tiveram 30 implantes colocados em regiões atróficas de pré-molares e molares; Acompanhados por um período máximo de 6 meses, nenhum implante foi perdido, e o nível ósseo foi mantido. Concluiu-se que o uso do implante curto AstraTech® de 6 mm em regiões de atrofia óssea, apresenta resultados similares aos implantes longos.

Silva e colaboradores realizaram uma revisão sobre as taxas de sucesso dos implantes curtos, quando comparado a implantes longos:

Taxas de sucesso: média de 95,82% para implantes curtos.

Conclusão

• Os  implantes cone-morse de 6 mm de comprimento apresentaram níveis de remodelação óssea das cristas semelhantes aos de 8 mm;

• Nenhum implante dos 2 grupos apresentou alterações radiográficas na interface osso-implante;

• Implantes curtos devem ser considerados como opção de tratamento onde há pouca disponibilidade óssea.

Referências

1. Torres EM. Análise fotoelástica das tensões geradas por diferentes planejamentos de próteses parciais fixas parafusadas sobre implantes cone morse.(Tese) – Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2008.

2. Tomazinho PH, Zielak JC. Avaliação in vitro do selamento bacteriano entre implante e minhão: Sistema friccional. 1o EIUSF – Encontro Internacional de Usuários do Sistema de Implante Friccional 2010.

3. Neves FD, Fones D, Bernardes SR, et al: Short implants: An analysis of longitudinal studies. Int J Oral Maxillofac Implants 2006. 2: 86.

4. Bozkaya D, Muftu A. Evaluation of load transfer characteristics of five different implants in compact bone at different load levels by finite elements analysis. J Prosthet Dent, 2004. 92 (6): 523-30.

5. Renouard F, Nisand D. Impact of implant length and diameter on survival rates. Clin Oral Implants Res, 2006; 17:35.

6. Misch K, Steiganga J, Barboza E, Misch DF, Cianciola LJ, Kazor C. Department of Periodontology, Temple University, Philadelphia, PA, USA. Short dental implants in posterior partial edentulism: a multicenter retrospective 6-year case series study. J Periodontol 2006. 77(8):1340-7.

7. Minsk L, Polson A, Weisgold A, et al. Outcome failures of endosseous implants from a clinical training center. Compend Contin Educ Dent 1996. 17:848.

8. Winkler S, Morris HF, Ochi S. Implant survival to 36 months as related to length and diameter. Ann Periodontol 2000. 5:22.

9. Tawil G, Younan R. Clinical evaluation of short, machinesurface implants ffollowed for 12 to 92 months. Int J Oral Maxillofac Implants 2003. 18:894.

10. Gonçalves ARQ, Silva AL, Mattos FR, Barros MB, Motta SHG. Implantes curtos na mandíbula são seguros? RGO 2009. 57(3): 287 – 90.

11. Thomé G, Bernardes SR, Sartori IM. Uso de Implantes Curtos: Decisão baseada em Evidências Científicas. Noticia e Ciência. Jornal do ILAPEO 2009.

12. Galvão FFSA. Previsibilidade de implantes curtos: Revisão de literatura. RSBO 2011. 8(1): 81-88.

13. Soares MAD, Ciuccio RL, Jacomini A, Lenharo A, Evangelista N. Implantes com conexão cônica interna. GEPROS 2009; 4:139-50.

14. Bandeira AFB, http://www.divamag.com.br/estetica-saude/implantes-dentarios.php; acesso em 15 de agosto de 2011.

15. Santiago Junior JF, Verri FR, Pellizzer PE, Moraes SLD, Carvalho BM. Implantes dentais curtos: alternativa concervadora na reabilitação bucal. Rev Cirurgia e traumatologia Buco-Maxilo-Facial, Camaragibe 2010; 10:67-76.

16. Daroz SR. Atrofia óssea da região posterior da mandíbula: um desafio á implantodontia. Abr/2007. 4(3): 287-92.

17. Misch K. Short Dental Implants: A literature review and rationale for use. Dentistry Today, Aug/2005.

18. Misch K. Implantes Dentários Contemporâneos, 2a edição: São Paulo; 2000, cap. 7, 8, 9, 13, 15, 21, 22, 23, 24.

19. Silva A L. Estudo longitudinal dos implantes curtos na mandíbula.[tese] Monografia de pós-graduação da Ciaodonto. Rio de Janeiro, 2008.

20. Elerati E, Assis MP, Azevedo KM. Reabilitação de maxilares atróficos com implantes osseointegrados sem reconstruções ósseas. Implant News 2011. 8(1): 81-84.

21. Barboza E, Carvalho W, Francisco B, Ferreira V. Desempenho clínico dos implantes curtos: um estudo retrospectivo de seis anos. R. Periodontia 2007. 17(4).

22. Machado MAS, et al. Causas da perda óssea periimplantar durante o primeiro ano em função.Implantnews 2007. 4(6): 673-76.

23. Albrektsson T, Zarb G, Worthington P et al. The long-term efficacy of currently used dental implants. A review and proposed criteria for success. Int J Oral Maxillofac Implants 1986.1:11-25.

24. Barcelos MJR. Avaliação da perda óssea marginal ao redor do implante dentário de um e dois estágios cirúrgicos: Uma revisão sistemática. [Dissertação] Universidade do Grande Rio “Prof. José de Souza Herdy” 2007.

25. Beltrão GC, Búrigo J. Complicações em enxertos intrabucais: relato de caso clínico. Implant News 2007. 4(6).

26. Garcés MAS. Short implants: A descriptive study of 273 implants. Clinical Implant Dentistry and Related Research. 2010.

27. Rettore JR, Bruno IO, Neto CCL. Abordagem biomecânica como forma de favorecer e estabelecer o uso de implantes curtos. Implant News 2009. 6(5): 543-9.

28. Maia BGF, Neiva TGG, Blatt M, Maia S, Bordini PJ. Avaliação da interface implante/pilar intermediário em conexões do tipo Cone-Morse através do método de microscopia eletrônica de varredura. Implant News 2009. 6(6): 625-9.

29. Silva AAP, Teixeira MF, Höhn A, Ferreira V, Barboza E. Implantes curtos. Implant News 2009. 6(6): 649-53.

30. Pinholt E. Short implants as an alternative to bone augmentation procedures. Dentistry News 2008; 1: 4-5.


Por: Silmara Assunta Castaman, Tamiris Bolivar Pedroso, Adriane Yaeko Togashi, Eleonor Álvaro Garbin Junior

Artigos relacionados

05/08/2019 Artigos Científicos

Técnica de expansão óssea alveolar para a colocação de implantes imediatos

Atualmente, a utilização de implantes osseointegrados em reabilitação protética de pacientes parcialmente edêntulos tem se destacado por ser uma opção segura e menos invasiva que as próteses parciais fixas convencionais. Entretanto, em alguns casos, o rebordo apresenta-se atrófico e/ou com defeitos ósseos podendo limitar a instalação dos implantes. A técnica de expansão cirúrgica do rebordo […]

Foto de Kopp Implantes
por Kopp Implantes

Comentários

Foto ilustrativa

Kopp Educação

Participamos e fomentamos a educação e formação de novos dentistas brasileiros, doando material para faculdades, onde todos podem conhecer nossos produtos e sistemas de implantes.

Conheça nossos produtos!

Ícone mundo Selecione seu idioma

Contato por WhatsApp Ícone WhatsApp